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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Provocações e agressões

 

O que é uma provocação? É um acto que tem por objectivo gerar em nós uma reacção exagerada e irracional, que nos torna ridículos ou fracos ou exageradamente agressivos. Há muitos graus de provocação. O objectivo de alguns é apenas provocar uma reacção emocional, uma perturbação. É o caso do quadro, da escultura, do filme, do romance que saem dos códigos habituais para abrir um novo caminho. Foi o que aconteceu, no início, com os quadros de Kandinsky e de Picasso, com o romance "Lolita" ou, na televisão, com "Drive In" e "Big Brother". A provocação implica sempre uma inversão de papéis. A pessoa que habitualmente é considerada inferior trata com superioridade e desprezo a que costuma ser considerada superior. Deixa-a em dificuldades, provoca-lhe ressentimentos. Nas contestações estudantis, o grupo de estudantes esquece a relação de deferência que tem com o professor, interpela-o com arrogância, como se fosse um ser inferior, e, se este reage, recrimina-o, qual aluno indisciplinado. Uma das formas mais importantes de provocação são os maus-tratos persecutórios entre jovens, o chamado bullying.

O agressor empurra a vítima, insulta-a, rouba-lhe a carteira e, quando ela protesta, vê nessa reacção um motivo para a importunar. Ou seja, o perseguidor usa a provocação para justificar a posterior perseguição. A provocação é muitas vezes usada para desencadear um conflito e depois atribuir ao outro a culpa desse mesmo conflito. Nos grupos de jovens, quem quer provocar uma rixa mete-se com uma rapariga de um grupo rival ou choca com um dos adversários fingindo não ter sido de propósito. O outro reage e o primeiro declara-se agredido, aproveitando para iniciar o combate. Este tipo de provocação também é muito usado na política. Muitas das frases trocadas pelos políticos são provocações, sob a forma de acusações ou lamentos. Os nazis insultavam os judeus, partiam-lhes as montras e, quando estes reagiam, gritavam indignados, como vítimas. Em todos os partidos que recorrem à violência pública há a figura do agente provocador que atira uma pedra, um cocktail molotof, e depois começa a gritar que foi agredido. E tem sempre companheiros prestes a testemunhar a seu favor. Conclusão; quando nos apercebemos de que se trata de uma provocação devemos ter presente que, se reagirmos, haverá sempre danos. Por isso o melhor é não responder, sair dali e deixar o provocador a falar sozinho.

(fonte ionline)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A Inveja do Pénis

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Este é um vídeo sobre uma polémica campanha dinamarquesa contra a violência doméstica.

Polémica, por causa da maneira como a ONG * decidiu passar a mensagem:

O anúncio Hit the bitch é apresentado como um jogo que incentiva quem o vê a bater numa mulher que atira insultos e vai ficando com a cara em ferida .
Por cada bofetada dada, o jogador acumula pontos numa escala de "masculinidade". Às 10 bofetadas atinge os 100%, m
as em vez do habitual You win!, surge a mensagem 100% idiota, seguida de um alerta contra a violência doméstica.

(fonte i online aqui)

Eficiente?! São os VídeoJogos violentos eficientes por ajudarem a descarregar violentos impulsos e ensinarem às crianças e aos jovens que violência não é uma coisa boa?

Podemos depois passar ao próximo nível e criar jogos sobre abuso sexual, pedofilia, crime, roubo, assassínio e até corrupção, especificamente para o uso no tratamento preventivo ou na recuperação de condenados?

Que tal também um jogo mais light com a mensagem: Destrua o Planeta?

Ser um idiota campeão afinal é bom ou não?!

* A ONG dinamarquesa “Children exposed to Violence at Home” já encerrou a campanha fora da Dinamarca devido à controvérsia e ao tráfego excessivo registado no site www.hitthebitch.dk.

E ainda: Na véspera do Dia Internacional para a Eliminação da Violência sobre a Mulher, que se assinala quarta-feira, a UMAR refere que 26 mulheres foram assassinadas desde o início do ano e 43 foram vítimas de tentativa de homicídio. A maioria foi morta pelos companheiros, maridos ou namorados, revelam dados do Observatório de Mulheres Assassinadas (UMAR).

(ler mais no i online aqui e no Público aqui)

Realmente, a nossa "inveja do pénis" é tanta, Freud, que até andamos a espancar os homens por causa disso!

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Se és mulher, diz: "De todos os homens que fazem parte da minha vida, nenhum será mais do que eu".

Se és homem, diz: "De todos as mulheres que fazem parte da minha vida, nenhuma será menos do que eu".

(bons exemplos aqui)

(leia mais nas Poderosas SA sobre a violência doméstica aqui)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A culpa é dela!


Foto i online

A culpa é dela.

Como a culpa do abutre é do cadáver?

Como a culpa de um alcoólico é do álcool à disposição?

Sobre os recentes casos de violação que têm vindo à tona, parece haver sempre uma desresponsabilização da parte do agressor. Até pode surgir um mea culpa... por se terem deixado apanhar, claro, senão continuava tudo na mesma, as desculpas que dariam a si mesmos seriam as mesmas de sempre.

Eu não consigo me controlar, é mais forte do que eu?

Mantive-a presa para protegê-la dos homens maus e do mundo cruel que existe lá fora?

Dei-lhes o que queriam, a culpa é delas/es?

A "mulher violada por Phillip Garrido em 1976, crime pelo qual esteve preso durante dez anos, deu uma entrevista na televisão norte-americana (...).

Katie Callaway Hall foi ao talk show de Larry King, na CNN, e contou a história de como Garrido lhe pediu boleia à saída de um supermercado, na noite de 22 de Novembro de 1976. Depois, algemou-a e levou-a para um armazém em Reno, no estado do Nevada, onde a violou.

Durante algumas horas, Hall foi mantida no armazém, que os relatórios da polícia retratam como um “palácio de sexo”, preparado com um colchão, pornografia e brinquedos sexuais.

Hall foi encontrada por um agente da polícia que estranhou ver o carro da jovem estacionado perto do local e deteve Garrido.

Pela violação, Garrido foi condenado a 50 anos de prisão, dos quais apenas cumpriu dez. Obteve liberdade condicional e foi inserido no registo nacional de agressores sexuais. Mas, apesar disso, e dos te ter hábitos de "predador" conhecidos aquando do julgamento - como o facto de observar crianças com menos de dez anos junto às escolas -, Garrido afirmou que a culpa do crime recaía sobre Hall, por ser atraente."

(em Público aqui, nas Poderosas SA aqui: Adeus, filha! )

E que tal: aproveitei-me da fragilidade de alguém?

Trai a inocente confiança que alguém depositou em mim?

Sacrifiquei o corpo, a sanidade mental e física, a VIDA de alguém aos meus impulsos?

Mais um caso: "Ivanilde nunca iria ser mãe. Um problema de fertilidade impedia-a de ter um filho. Foi o médico Roger Abdelmassih (a quem pagou 11 mil euros por três tratamentos) que lhe resgatou o sonho. "Saía de lá a sentir-me grávida. Ele olhava-me nos olhos e dizia que me ia dar um filho", contou à revista "Veja". Um dia, acordou de um tratamento e, ainda com o torpor da anestesia a repousar no corpo, sentiu o peso do médico em cima dela: "Com a calça arriada e o pénis na minha mão, suja de esperma."

Ivanilde Vieira Serebrenic é uma das 39 mulheres que processaram o mais famoso especialista em reprodução assistida do Brasil, preso há exactamente uma semana. Numa cela com 16 metros quadrados, Roger Abdelmassih espera pelo dia em que irá responder por 56 acusações de violação a 39 mulheres, todas antigas clientes.

(...) A "Veja" conta a história de um empresário que, em 1993, dirigiu-se com a mulher até à clínica de Abdelmassih. Ele sabia que o problema de fertilidade era seu, mas não autorizou a utilização de sémen de um dador. A mulher engravidou e, depois do nascimento do casal de gémeos, decidiu fazer um teste de ADN. Quando descobriu que não era o pai, procurou o médico e aceitou 600 mil reais (cerca de 220 mil euros) em troca do silêncio. Foi o princípio do fim. Divorciou-se, rejeitou os filhos e o ódio ao médico começou a dominá-lo. O caso foi conhecido e alimenta agora a suspeita de milhares de pessoas que recorreram à clínica.

Vinte mil casais brasileiros deitam-se todas as noites com a mesma dúvida."

(Mais em i online aqui e Globo aqui.)

Estas histórias, afinal, são muito parecidas com esta: Sacos de Pancada.

Não existem exclusivamente no gênero masculino sobre o gênero feminino.

(vide o caso Casa Pia = abuso sexual + abuso de poder.

Ou os casos de mulheres ou mães ou professoras que abusam de rapazes ou raparigas -e esse é um problema de mulheres.)

Mas quando é a esse tipo de abuso que se refere, não podemos deixar de voltar a recomendar a leitura que dele faz José Saramago (aqui) e concordar quando ele diz que isso é um Problema de Homens.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Adeus, filha!




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Hoje, duas notícias sobre jovens filhas:
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Jaycee Lee Dugard viveu em cativeiro desde os onze anos

"Jaycee Lee Dugard, a jovem que reapareceu em El Dorado, na Califórnia, 18 anos depois de ter sido raptada com apenas onze anos, teve dois filhos do seu alegado raptor, o primeiro quando tinha 14 anos. Os suspeitos responsáveis pelo seu cativeiro, Phillip Garrido, de 58 anos, e a sua mulher, Nancy Garrido, de 54, estão detidos.Ontem soube-se que a jovem tinha aparecido numa esquadra da polícia e que estavam a ser realizados testes de ADN. O reencontro com a mãe já aconteceu."

(ver notícia completa em Público aqui e aqui e no i online aqui http://www.ionline.pt/conteudo/20369-americana-sequestrada-ha-18-anos-reencontrou-mae---video e aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/20448--e-uma-historia-comovente-diz-raptor-jaycee-dee-dugard e aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/20465-jaycee-dugard-presa-18-anos-no-jardim-um-fanatico)

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Adolescente que queria dar a volta ao mundo foi retirada aos pais

"O tribunal de menores de Utrech decidiu hoje que Laura Dekker deve ser retirada aos pais e proibiu a adolescente de dar a volta ao mundo de barco, sozinha.
A rapariga de treze anos queria bater o recorde da pessoa mais jovem a dar a volta ao mundo de barco. Pretendia sair da Holanda a 1 de Setembro, dia em que completa 14 anos, e sempre contou com o apoio dos pais para "realizar o sonho".
O caso tem gerado grande polémica na Holanda, pela idade da menor e pela autorização concedida pelos pais. Esta manhã, o tribunal decretou a entrega da adolescente de 13 anos a uma tutela provisória e decidiu abrir um inquérito sobre o caso."

(ver notícia completa no i online aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/20376-adolescente-que-queria-dar-volta-ao-mundo-foi-retirada-aos-pais e no Público aqui: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1398130&idCanal=11 )

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Adeus, filha.
Vemo-nos em 2, 18 anos... ou nunca mais?

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É mais fácil ter filhos homens?!

Estes casos dão-nos muito que pensar...

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sacos de Pancada

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"(...) No namoro, não valorizou os arrufos por ir aonde ele não queria. Nos primeiros anos de casamento, encarou como "normal" ele não a deixar sair: "Não queria que falasse com familiares, amigas, vizinhas, nada. Proibiu-me de ir a casa dos meus pais!" A violência psicológica endureceu. De repente, zás. "Ele queria sair. Eu disse: 'Vou contigo!' Deu-me com a cabeça na parede." Estava aberta a frente física daquela guerra. (...)".

(leia o artigo completo de Ana Cristina Pereira aqui:
e a saga continua aqui)

São homens doentes no pior sentido da palavra.
Não são animais, porque não há animais que façam isto às suas fémeas e filhotes.
São tão prepotentes como fracos. De espírito.
Tão violentos como covardes.

Pensam que as suas mulheres, os seus filhos, os seus animais, são sua pertença e seu direito incondicional.
E usam-nos como sacos de pancada para descarregar toda a sua frustração, estupidez, ignorância, impotência, brutalidade.

E há as mulheres que os suportam. Também elas doentes.
Que o fazem pelo "amor", pelos filhos (!!!), pelo apelo da sociedade e da religião. Doentes também.

Que mães educaram estes homens e mulheres?
Que pais lhes serviram de exemplo?
Que filhas e filhos estão eles a criar?
Os que perpetuarão a doença da espécie?

E há os que acham que em briga de marido e mulher não se mete a colher e não é problema deles.
E os que acham que elas estão a pedi-las, ponto final!
E ainda os que acham que isto é um casamento normal, anormal é que os gays pretendam casar-se.
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Saramago também tem pertinentes palavras a dizer sobre isto:
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"Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que crêem ser seus donos. Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume, é certo que só pouco a pouco, que esta violência é um problema dos homens e que os homens têm de resolver.
(...)
Talvez 100 mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia."
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Porque há muitos, muitos, muitos homens bons por aí.
E é bom quando eles dão um passo à frente
e se torna fácil reconhecê-los.
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