Mostrar mensagens com a etiqueta Aceitação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aceitação. Mostrar todas as mensagens

sábado, 9 de março de 2013

Mapa de Março 2013

.

MARÇO 2013 – ESCOLHER SEMEAR PARA COLHER DEPOIS… 


Sabemos cultural e empiricamente que todas as Escolhas trazem Consequências, mas quando nos deixamos arrastar para longe de nós mesmos, esquecemo-nos de tomar CONSCIÊNCIA das Escolhas! Os Orientais conhecem esta prorrogativa como Lei Kármica ou a Lei das Sementeiras…



Convido-vos então, neste mês de MARÇO, a ESCOLHER SEMEAR CONSCIENTEMENTE em todos os momentos da Vida. 
Como exercícios, vamos experimentar estes… 

1 – Este Mês, escreva UMA CARTA a si mesma(o), mostrando-se como a(o) sua(ou seu) melhor AMIGA(O).Escreva-se palavras de Esperança, Consolo, Motivação, etc. Coloque a carta num envelope, endereçado a si mesma(o), e envie a carta pelo correio.
Quando a receber, SABOREIE essa carta, e observe o que sente quando a lê…

2 – SEJA 1 ANJO POR UM DIA( ou 2, 3 ou 200 dias…)
Imagine-se um actor que dá corpo, voz e vontade a um Anjo ou outro Ser Divino! Proponha-se a SER essa Energia ou Entidade em todos os lugares e com todas as pessoas com quem se cruzar.
Ao escolher SER esse SER DIVINO, imagine como seria esse Ser num Humano: O que diria – faria – falaria – para irradiar Qualidades Divinas?
Há todas as garantias de que aquele que mais vai receber essas Qualidades…é Você mesmo…

3 - Seja o (a) fundador(a) de um CLUBE que se possa reunir uma ou duas vezes por mês: Que seja um clube onde todos possam PARTILHAR IDEIAS, EXPERIÊNCIAS, CONVIVIO, e DESFRUTAR de COMPANHIA HUMANA. Pode ser um clube de Lavores – Bricolage – Bordados – Costura – Filosofia e Literatura – Pais e Mães – e tantos outros. Junte-se a
pessoas que têm os mesmos interesses, ou as mesmas necessidades, DÊ APOIO, PERMITA-SE SER APOIADO e APRENDER coisas novas, e PARTILHE. Experimente convidar um ou uma “expert” para ensinar aqueles que não sabem (ou que saibam pouco).Por ex: uma costureira aposentada para ensinar costura, ou um professor de Português ou Filosofia para coordenar debates no Clube…

4 – Semeie ou plante um planta desta época, na sua varanda ou quintal, e desfrute, acompanhando o seu crescimento e evolução, fazendo disso UMA PRÁTICA MEDITATIVA E RELAXANTE.
ESCOLHA SEMEAR O MELHOR QUE VOCÊ É, E CERTAMENTE VAI COLHER O MELHOR QUE A VIDA DÁ ! 


“…são as águas de Março, é o fim do Verão, é a Promessa de Vida no meu Coração…”(Elis Regina)

por Silvia Morais 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Está tão difícil fingir que 'tá fácil !



.

Noutro dia fizemos uma confraternização entre o pessoal da editora para a qual faço alguns trabalhos. Era um daqueles dias lindos quando todos se disponibilizam para o riso e os abraços. Estávamos num sítio e os homens e meninos resolveram jogar bola, enquanto as mulheres assistiam e riam da falta de preparo físico deles... Claro que o objetivo era a diversão e tudo acontecia assim.
Num determinado momento, aproximei-me das grades da quadra, perto da trave. Para a minha surpresa, veio um deles, agarrou-se na grade e confessou, exausto, suando, como quem pede socorro:
Ai, tá tão difícil fingir que tá fácil!
A confissão foi tão espontânea e inesperada que comecei a rir, mas imediatamente tive um insight, caiu uma ficha, como dizem. Pensei comigo mesma: é realmente muito difícil, em alguns momentos de nossa vida, fingir que tá fácil, mas ainda assim a gente insiste em fingir, sem se dar conta de que isso só aumenta mais a dificuldade, seja física, mental e, principalmente, emocional.
Ficar fazendo cara de feliz e até sorrindo feito bobo, só pra disfarçar a dor que lateja por dentro, a tristeza que machuca sem parar, a mágoa por algo que aconteceu e não sabemos o que fazer com a realidade. Talvez um emprego que perdemos ou nem conseguimos conquistar; um amor que acabou ou nem começou; um amigo ou irmão com quem brigamos e não sabemos como fazer as pazes; uma raiva absurda que toma conta da gente por causa de uma situação em que nos sentimos contrariados, diminuídos, humilhados...
Enfim, muitas vezes, vivemos situações que nos provocam o desejo de xingar, gritar, esbravejar, argumentar e chorar feito criança, sem se importar com as caretas, as lágrimas, o barulho... só chorar, chorar e chorar até pegar no sono... Mas não! Não nos permitimos amolecer. Permanecemos durões, engolindo a dor a seco, sentindo a tristeza passar pela garganta como se fosse espinha de peixe enroscada... arranhando, incomodando, doendo mais. E lá estamos nós... fingindo que está fácil!
Pois bem, não sei quanto a você, mas estou decidida, cada vez mais, a mostrar o que sinto, mesmo sabendo e confessando que não é nada fácil. No entanto, se não é nada fácil se expor e mostrar os sentimentos, especialmente quando eles escancaram nossa fragilidade e vulnerabilidade, mais difícil ainda é fingir, camuflar, parecer sem ser, viver sem se aprofundar, amar sem ser intenso, sentir sem se entregar.
Não estou, de forma alguma, sugerindo que você alimente sentimentos como raiva, tristeza e desesperança. Muito pelo contrário: estou sugerindo que você os assuma, os sinta e, assim, possibilite o fim de cada um deles. Porque enquanto a gente finge que não está sentindo, eles continuam lá, enroscados.
Mas quando a gente assume e os expõe, eles passam, acabam, vão embora. Claro que, sobretudo, este tem de ser o nosso objetivo. É o meu, garanto! Aproveito, então, para sugerir que esta seja a sua grande lição a partir de hoje : parar de fingir que está fácil quando não estiver.
Parar de sustentar um ego que só o faz ser quem você não é (ou seja, ninguém!) e o distancia de sua verdadeira essência.
Parar de se importar tanto em ter razão e se concentrar mais na sua humanidade, na sua imperfeição, na sua vontade de crescer e se tornar melhor, lembrando sempre de que a gente só consegue sair de um lugar e chegar a outro quando tem consciência de onde está e, sobretudo, para onde deseja ir.
Que você vá além e ultrapasse qualquer caminho que não seja o seu.
Saia do fingimento e vá para o autêntico, por mais difícil que seja, porque só assim é que a vida vale a pena e é só aí que o amor encontra espaço!

.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11/11/11


Porque seria tão bom estar directamente conectado
ao que existe de mais primitivo e autêntico no mundo e em nós
(a voz de Deus ? o ritmo da Natureza ? 
o nosso instinto e sabedoria intrínseca ?)
E não se deixar contaminar pelo ruído
do egoísmo, maledicência e mesquinha vontade alheia,
das necessidades impostas daquilo que não nos é necessário,
das dúvidas, incertezas e inseguranças 
quanto ao caminho que devemos trilhar,
porque há uma voz, interior, que sabe
e é essa que devemos ouvir e queremos seguir
A que amplia o bem, a tolerância e a aceitação
Do outro e da vida como ela é.
A que nos despe de tudo o que é para impressionar os outros
e nos pacifica com a sua/nossa simplicidade.




Num mundo em redemoinho
busquemos o centro
e meditemos:


(meditar é ouvir a voz da nossa alma -ou o que lhe queiram chamar- sem as razões pré-formatadas que habitualmente nos tentam manipular) 

Fonte: Anjo de Luz

domingo, 14 de agosto de 2011

Wabi Sabi e a Arte da Imperfeição

.
por Adília Belotti .

Não sei quanto a você, mas eu ando definitivamente exausta de correr atrás da perfeição.
No outro dia apanhei-me a medir as toalhas de banho dobradas para que elas formassem impecáveis pilhas no meu armário. Uma amiga diz-me que arruma os frascos de tempero por ordem alfabética?! E o pediatra solta um comentário bem-humorado sobre mães que se sentem pessoalmente insultadas quando seus filhos ficam com gripe. Como se a gripe fosse uma espécie de tinta que manchasse a perfeição dos seus pimpolhos...
O nosso índice de tolerância aos "defeitos de fabricação" do universo anda mesmo muito baixo. E isso nos torna a espécie mais reclamona do universo, provavelmente a única -mas tenho algumas dúvidas se bois e vacas interiormente não reclamam daquelas moscas sempre em volta dos seus rabos...
Passamos um bocado de tempo tentando caber nas molduras que inventamos para nós. Isso quando escapamos de tentar vestir à força as expectativas que OUTROS criaram para NÓS.
Senão, digam-me porquê oss seres humanos razoáveis investiriam tanto tempo, dinheiro e energia para tentar recuperar a imagem que tinham aos 18 anos?
.
Por estas e por outras tantas quando terminei de ler aquele livrinho senti que tinha recebido uma revelação divina! É só um livreto, mas, ao contrário, desses livros bonitinhos que compramos como se fosse um cartão para dizer “Feliz Aniversário” ou “Como eu gosto de você”, não é tão fácil assim de ler. Muito menos de pôr em prática os conselhos da autora.
O título em inglês é The Art of Imperfection ou A Arte da Imperfeição. Porque é disto que Véronique Vienne fala no seu pequeno livro: das formas de perceber a beleza que se esconde nas frestas do mundo perfeito que tentamos, sempre em vão, construir para nós.
Você conhece aquela história de que os tapetes persas sempre tem um pequeno erro, um minúsculo defeito, apenas para lembrar a quem olha de que só Deus é perfeito? Pois é, a Arte da Imperfeição começa quando a gente reconhece e aceita nossa tola condição humana.
.
Véronique Vienne dividiu o seu manual em dez capítulos de títulos muito sugestivos:
a arte de cometer erros, a arte de ser tímido, a arte de se parecer consigo mesmo, a arte de não ter nada para vestir, a arte de não ter razão, a arte de ser desorganizado, a arte de ter gosto, não bom-gosto, a arte de não saber o que fazer, a arte de ser tolo, a arte de não ser nem rico nem famoso.
E encerra o livro com 10 boas razões para ser uma pessoa comum. “A história está cheia de criaturas incompetentes que foram muitíssimo amadas, desajeitados com personalidades cativantes e gente tola que encanta a todos com o seu jeito despretensioso.
.
O segredo? Aceitar as nossas falhas com a mesma graça e humildade com que aceitamos as nossas melhores qualidades”, ela diz. E propõe: “Perdoe a si mesmo. (...) Você não precisa ser perfeito para ser um ser humano bem-sucedido.
De fato, com mais frequência do que imaginamos, o desejo de acertar impede as coisas de melhorarem e a necessidade de estar no controle aumenta a desordem e o caos”.
A Arte da Imperfeição, no entanto, não se limita ao reconhecimento das imperfeições humanas. Também tem a ver com o nosso jeito de olhar para as coisas mais banais, mais corriqueiras e vê-las com outros e mais benevolentes olhos.
Leonard Koren, um designer americano, publicou alguns livros tentando revelar para o nosso olhar ocidental as delicadezas do olhar wabi sabi.
Wabi sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. O termo é quase que intraduzível.
Na verdade, wabi sabi é um jeito de “ver” as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade.
.
Contam que o conceito surgiu por volta do século 15:
Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá. E foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou-o varrer o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichosamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição.
.
O que a historinha de Rikyu tem para nos ensinar é que estes mestres japoneses, com sua sofisticadíssima cultura inspirada nos ensinamentos do taoísmo e do zen budismo, conseguiram perceber que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar.
E a natureza das coisas é percorrer seu ciclo de nascimento, deslumbramento e morte; efêmeras e frágeis. Eles perceberam a beleza e elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo. Um velho bule de chá, musgo cobrindo as pedras do caminho, a toalha amarelada da avó, a cadeira de madeira branqueada de chuva que espreguiça no jardim, uma única rosa solta no vaso, a maçaneta da porta nublada das mãos que deixou entrar e sair.
Wabi sabi é olhar para o mundo com uma certa melancolia de quem sabe que a vida é passageira e, por isso mesmo, bela.
Para os olhos artistas de Leonard Koren wabi sabi é inseparável da sabedoria budista que ensina:
Todas as coisas são impermanentes
Todas as coisas são imperfeitas
Todas as coisas são incompletas
.
Então olhar para elas de um modo wabi sabi é ver:
A beleza que existe naquilo que tem as marcas do tempo (a velha cadeira de balanço com a sua pintura já gasta tomando o solzinho que entra pela janela é wabi sabi)
A beleza do que é humilde e simples (em vez de sofisticado e cheio de ornamentos inúteis)
A beleza de tudo o que não é convencional (quer algo mais wabi sabi do que servir à luz de velas e em toalhas de renda um simples hamburguer?)
A beleza dos materiais que ainda guardam em si a natureza (wabi sabi é definitivamente papel, algodão, velhos e nobres tecidos, nada de plástico)
A beleza da mudança das estações (que tal experimentar descobrir os primeiros verdes fresquinhos e brilhantes que anunciam a primavera?).
.
A Arte da Imperfeição é ver a vida com a tranquilidade de quem sabe que a busca da perfeição exaure nossas forças e corrói nossas pequenas alegrias.
Porque, como disse Thomas Moore, “a perfeição pertence a um mundo imaginário”. No nosso mundo verdadeiro, aqui e agora, que tal abrir os olhos para o estilo wabi sabi?

.
(mais sobre A Arte da Imperfeição aqui...)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Porque temos tanto medo da meia-idade ?

Embracing middle age: Jane still has her sense of self

Nós fingimos que não estamos lá ainda - e lutamos desesperadamente para esconder as provas. Mas a autora Jane Xelim de 50 e tal, diz que traz alegrias inesperadas: 

.

Cinco anos atrás, quando eu tinha 47, comecei a escrever um livro de memórias sobre a experiência da meia idade. Pensei que poderia encontrar algumas surpresas pelo caminho.
Afinal, escrever sobre uma experiência enquanto se está a passar por ela significa que a história está mudando continuamente, e você nunca sabe exactamente o que está por vir.
O que eu não previa era a reacção quando as pessoas descobriam o que eu estava a fazer. Eu conhecia alguém, começava a conversar e, eventualmente, perguntavam: O que você está fazendo?
Quando eu dizia que estava a escrever um livro sobre a Meia Idade, eles faziam um tipo peculiar de careta malandra e diziam: 'Não que você saiba alguma coisa sobre isso, é claro!'
Absolutamente todos fizeram isso - e depois de algum tempo isso se tornou uma espécie de piada privada.
Eu fazia pequenas apostas comigo mesma em como esta ou aquela pessoa não diria o mesmo. Mas sempre o disseram.
O que era estranho, porque eu tinha 47 anos quando comecei a escrever o meu livro - e embora eu goste de pensar que estou num estado razoável de conservação para a minha idade, não havia nenhuma dúvida sobre isso. Eu era um exemplo inequívoco de mulher de meia-idade como se pode esperar conhecer.
Então, por que todos se sentiam obrigados a tranquilizar-me, como se eu fosse uma excepção do que obviamente acham uma espécie de maldição? O que estava tão errado, eu me perguntava, em ser de meia-idade?

Eu sabia pelas minhas leituras que a meia-idade nem sempre foi considerada um estado lastimável. A literatura antes de meados do século 20 está cheia de mulheres de meia-idade fabulosamente sedutoras.
A Mulher de Bath de Chaucer (Contos de Canterbury)- uma Cougar de 40 anos, séculos antes do termo ter sido inventado - é casada pela quinta vez com um homem com metade da sua idade, e descreve com delicioso autocontrole o seu apetite pelas coisas boas da vida: sexo, dinheiro e óptimos sapatos. A meia-idade como a dela pareceu-me totalmente desejável.
Então, você só tem que procurar para encontrar uma cultura na qual o encanto de uma mulher de certa idade é estimado e admirado, onde as mulheres, como o bom vinho, são consideradas mais profundas, mais complexas, mais interessantes e desejáveis - em suma, mais "sexy" - quando se aproximam de meia idade.
O contraste entre a atitude e a atmosfera que nos rodeia é bizarro.
Embora as pessoas de meia-idade predominem no Reino Unido, onde a idade média é de 39,5 anos, é doloroso ver como são punitivas as atitudes para com as mulheres de meia-idade, cheias de aversão, desprezo e algo muito parecido com medo.

Nos meus 20s e 30s eu estava acostumada a encontrar, reflectidas, imagens de mulheres como eu - em revistas, filmes, programas de rádio e televisão e de ficção. Mas chegar à meia-idade é descobrir que a sua história, aparentemente, já não vale a pena ser contada.
As imagens contemporâneas da meia-idade são todas sobre fingir que ela não está lá - 60 são os novos 40! Ou que se está lá, você pode mantê-la de alguma forma à distância com um coquetel de hormonas sintéticas, cirurgia, cosméticos, dietas e vigilância constante.
A única alternativa para a juventude prolongada artificialmente parece ser a versão "Velha garota mal humorada" do envelhecimento - uma espécie de "poder de velha miúda" em que a luta comovente para permanecer jovem é abandonada em favor de uma festa desenfreada do excêntrico.
"Uma vez passada a menopausa, todos nós somos pessoas estranhas", escreveu Germaine Greer, um notável colaborador do estilo velho e mal-humorado.
É uma coisa extraordinária de se dizer - que todos os homens após os 50 anos de idade se consideram pessoas estranhas? As suas esposas, filhos e empregados podem pensar assim, mas eu aposto que não é isso que eles pensam de si mesmos.

Mas uma das coisas que eu comecei a notar foi a estranha aquiescência de mulheres na meia-idade, quando confrontadas com caricaturas de si mesmas que não lhes fazem jus.
Essa coisa de ser excêntrica, "esquecível", feia e geralmente uma piada parece ter-se tornado o ponto de vista padrão para as mulheres de meia-idade - aprovado até mesmo por uma organização tão tenazmente liberal como a BBC, que foi recentemente forçada a pagar uma indemnização e pedir desculpas à ex-apresentadora Miriam O'Reilly depois dela ter sido descartada por ser "muito velha" com 51.
Você suporia que uma geração na menopausa de "baby boomers", educadas no feminismo e habituadas a trabalhar em condições de igualdade com os homens iria colocar uma forte resistência ao ver-se tratada com tanto desprezo.

Mas quando consultei os manuais sobre a menopausa na minha livraria local, mesmo aqueles escritos por mulheres estavam cheios de descrições dramáticas dos sintomas de incapacidade física e mental que eu estaria, aparentemente, experimentando, para os quais a TRH (Terapia de Reposição Hormonal) é apresentada como a panaceia universal.
Senti-me em dúvida sobre medicar o que era, afinal, um evento físico natural, e fui surpreendida quando me encontrei com uma médica aproximadamente da minha idade numa reunião de faculdade que, quando eu disse que não tinha planos de fazer TRH, começou a descrever quase com prazer, o murchar da carne e a desintegração dos ossos que me atingiriam em breve se eu rejeitasse as drogas.

Embora eu tenha tido sorte suficiente para passar ao lado da maioria dos sintomas físicos extremos que  habitam os manuais da menopausa com detalhes sombrios, eu ainda me sentia perturbada com a minha passagem para a meia-idade.
Não conseguia ver como caberia em qualquer dos poucos papéis que são, aparentemente, tudo o que é oferecido a uma mulher de 50 e tal. Velha querida? Cota lutadora? Falsa fêmea frágil? Eu não conseguia reconhecer-me em nenhum deles.
E sentia que as coisas ainda estavam a mudar, e em breve teria que tomar uma decisão sobre se me entregava, ou tentava resistir e agarrar-me um pouco mais ao que restou da minha juventude.
De qualquer forma, eu sabia que emocionalmente a maior batalha que enfrentava era a aceitação do minguar dos meus atractivos físicos.

Certa manhã, vi-me ao espelho da casa de banho e percebi que os meus olhos pareciam ter-se afundado, de maneira que era possível ver claramente o contorno do crânio debaixo da pele.
Eu sempre tive sombras escuras debaixo dos olhos. Mas de repente elas pareciam ter-se espalhado. Ao invés de uma mancha violeta delicada havia um lívido semi-círculo índigo debaixo de cada olho. Olhei-me ao espelho, e a imagem que olhou para mim fez-me lembrar uma desanimada tartaruga.
Consternada, eu desisti do álcool, comecei a beber litros de água e comprei um creme muito caro que prometeu banir as olheiras em algumas semanas.
Mas um editor comissionista teve uma ideia melhor. Eu gostaria de fazer um tratamento facial com um dermatologista top? Bem, é claro que eu faria.


Com ingenuidade surpreendente, eu imaginava que este dermatologista iria tratar o meu rosto envelhecido com óleos de ervas, massagens e, possivelmente, algumas coisas mais exóticas - cristais, talvez? Não me ocorreu, até que o vi avançar com uma seringa, que era Botox o que eu tinha permitido.
Tendo chegado a um acordo com a minha aparência imperfeita há muito tempo, parecia um pouco tarde para estar a tentar fazer algo sobre ela agora. Mas havia uma razão mais profunda para a surpresa que senti sobre o Botox e Restylane que estavam prestes a ser injectados no meu rosto.
A minha cara e identidade pareciam inseparáveis para mim, e eu estava preocupada que ao mudar uma, poderia, de alguma forma indefinível alterar a outra.
Na verdade, o dermatologista era um homem amável, com um toque artístico. Quando cheguei a casa, a única mudança na minha cara era uma fascinante incapacidade de juntar as sobrancelhas, e um hematoma enorme e escuro no meu lábio superior. O hematoma desapareceu muito rapidamente, mas o meu filho, quando eu lhe perguntei, não achou que eu parecesse mais jovem.

A única coisa que me surpreendeu foi quão sedutora achei a melhora quase imperceptível na minha aparência. Eu mesma comecei a perguntar-me se devia aceitar a oferta do dermatologista para complementar o tratamento, intrigada com a ideia de que, mesmo agora, tão tardiamente, a minha sorte poderia ser transformada por uma mudança na minha aparência.
Essa fantasia diminuiu logo ao descobrir o que o tratamento teria custado a um cliente pagante: o suficiente para realizar algumas reformas tão necessários na minha casa. Mais do que suficiente para comprar uma pintura linda que eu tinha visto numa galeria de West End.
Com uma pontada de arrependimento eu disse a mim mesma que tinha chegado à idade em que era melhor que a minha auto-estima dependesse de algo mais do que o reflexo do meu rosto no espelho.
Tudo o que li sobre a meia-idade salientou que é um tempo em que as mulheres começam a sentir uma grande necessidade de defender pontos de vista polémicos. Mas eu tinha sido assim toda a minha vida, então comecei a pensar que era hora de mudar.
Lembrei-me da Nigella Lawson dizer que a vida ficou ainda melhor com o passar dos anos, e embora nem todas possamos esperar uma meia-idade tão glamourosa como o dela, pensei que ela tinha marcado um ponto.

Como criança e jovem adulta, eu percebi que as minhas duas avós tinham cada qual, uma qualidade especial de compostura, e uma certa frivolidade inesperada.
Ambas tiveram muito com que se preocupar na sua longa vida. Elas nasceram vitorianas e cresceram no turbulento século 20.
Ambas tinham maridos que foram para a guerra - um como soldado em 1916, outro como marinheiro em 1939. Nenhuma levou uma vida perfeitamente segura, as duas passaram por decepção, dor e tristeza.
Apesar das suas personalidades serem muito diferentes, cada uma pareceu-me, ao crescer, ter a calma constante de alguém perfeitamente no comando de si mesma, e com essa calma uma vontade de ter prazer em pequenos detalhes - um bolo, uma flor, um chapéu, um jóia, um tordo no peitoril da janela, um novo gatinho, o que, à medida que eu própria ia envelhecendo, fui vendo como uma qualidade tanto admirável como corajosa.

A meia-idade é, sem dúvida, um momento de perda - e algumas dessas perdas podem ser graves.
Aos 47 anos eu pensei que um ânimo forte e um bom corte de cabelo seriam protecção suficiente contra os seus desmandos. Aos 50 eu soube mais. Mas, embora a experiência seja mais difícil do que eu esperava, também é mais ressonante e interessante.
Eu ainda estou a aprender a ser de meia-idade, por isso não posso afirmar ter descoberto os seus segredos, mas à medida que o processo de envelhecimento continua, parece-me ser mais um processo sobre o que fica do que sobre o que está perdido.
A flor da idade adulta está fadada a diminuir - e tentar agarrar-se a ela parece-me inútil. A reprodução de qualquer coisa - sejam móveis, pinturas ou jovens - é sempre menos interessante do que a coisa real.
Mas o fascínio não tem necessariamente de desaparecer. É que aos 50, ele tem menos a ver com a firmeza da carne, e mais a ver com a firmeza do ser.
Se existe um segredo para a juventude eterna, acho que provavelmente não envolve Botox ou HRT, mas tem mais a ver com o jeito das minhas avós de continuar a descobrir a maravilha do mundo, mesmo nos momentos difíceis.
Embora também seja verdade que um óptimo par de sapatos e um bom correctivo fazem a vida parecer melhor em qualquer idade.


Leia a versão original em inglês e respectivos comentários aqui


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Gratidão e Abundância


 Oliveira Fidelis Filho


Na área da psiconeuroimunologia, cresce a convicção de que as emoções, crenças, formas-pensamento, valores (o nosso "mapa" do mundo) têm efeito determinante no funcionamento do corpo. Ao optarmos pela gratidão como filosofia de vida, como prática constante, presenteamos a nós mesmos com uma vida mais feliz, saudável e bem sucedida. A gratidão gera ondas de vibração positiva deixando-nos afinados com o universo, com a nossa essência divina, proporcionando harmonia interna e externa, gerando cura e rejuvenescimento. A gratidão, como modo de ser, lembrando a Dra. Sharron Stroud, começa a se manifestar como arte e ciência da bênção.

No solo fertilizado pela gratidão, é impossível encontrar preocupação, raiva, depressão ou emoções negativas. Há uma nítida diferença entre os que vivem alimentando-se de amargura e os que vivem movidos por gratidão. Há um revigorante poder na gratidão, também na medida em que libera endorfinas, fortalecendo o sistema imunológico. Quando a gratidão se transforma em estilo de vida, abrem-se as portas para a felicidade e a saúde.

Não foi por masoquismo que São Paulo recomendou "em tudo dai graças"; há razões óbvias nesta orientação. E não tem a ver, necessariamente, com nos tornar aptos para ir para o céu e sim com tornar-mo-nos mais felizes e eficientes aqui na Terra. O apóstolo Paulo, constantemente submetido a duras privações e grandes obstáculos, sabia que o antídoto contra o veneno da amargura é a gratidão; por experiência percebia que não há como ser grato e infeliz ao mesmo tempo. Sabia que a prática da gratidão o libertava do pensamento negativo, da dúvida, do cinismo, do comodismo resignado e covarde, ao mesmo tempo em que o transportava para a dimensão criativa onde o amor, a fé e a esperança habitam. 

Temos de, conscientemente, injectar no cérebro doses maciças de gratidão todos os dias e várias vezes por dia. Ao agirmos assim, perceberemos que mesmo um período doloroso pode receber uma leitura nova e positiva, abrindo-se a múltiplas possibilidades. A vida expande-se e floresce na gratidão, podendo também retrair-se e murchar na ausência dela. Um coração fechado bloqueia o acesso à fonte da a felicidade, à manifestação de Deus em nós, interrompe a linha de transmissão da energia criativa que vem do Criador.

O universo enamora-se da gratidão. Quanto mais gratos formos mais motivos para sermos gratos teremos. A gratidão é a senha que nos permite o acesso aos tesouros da abundância; em contrapartida, a falta de gratidão e as queixas tornam as fontes de regozijo cada vez mais secas.

Durante muitos anos tive dificuldade em aceitar presentes, o que acabei por perceber tratar-se de baixa auto-estima e orgulho velado. Hoje, ao ser presenteado, gosto de dizer que aceito com gratidão e alegria. Percebo que ao agir assim coloco-me como alvo da generosa Providência.

O universo sempre nos dá mais daquilo em que nos concentramos. Há um princípio aceito de que aquilo que focamos se expande. Jesus declarou: "Porque a todo o que tem lhe será dado, e terá em abundância; mas o que não tem, até o que tem lhe será tirado". À primeira vista tal declaração soa muito dura, parece injusta; entretanto, ela faz justiça aos princípios que regem o universo. O que Ele diz é que a abundância, antes de ser plasmada no tempo e no espaço, deve existir como forma-pensamento, como sentimento de gratidão pela abundância, implicitamente. Para Ele, pessoas que se alimentam de crenças negativas em relação à abundância e à prosperidade, colhem os frutos destas crenças.

A parábola dos talentos, onde se encontram as palavras de Jesus citadas, referem-se a três personagens, três formas de lidar com o que a vida disponibiliza. O terceiro personagem, que recebeu um talento, representa os que crêem num Deus amedrontador, severo, vingativo, que julga, condena e inibe a iniciativa humana. É do tipo que diz "fazer o quê, temos que nos conformar, é a vontade de Deus..." e, de posse desta crença vive a enterrar o potencial nele existente. Os outros dois no entanto, são movidos pelo dinamismo, criatividade e flexibilidade que a gratidão proporciona, vivendo para multiplicar o que lhes foi dado.

A gratidão nada tem a ver com comodismo ou resignação frustrada, ao contrário, é um poderoso combustível para a acção. A partir da plataforma da gratidão é que se lançam os destemidos projectos de fé. Jesus estava portanto a ensinar a importância de nos concentrarmos no que temos e no que verdadeiramente desejamos, em vez de focarmos e relembrarmos o que nos falta. Se focarmos no que nos falta, o que nos falta será o que na verdade teremos. Portanto, se não abrigarmos pensamentos e sentimentos de abundância, corremos o risco de ter cada vez menos.

Tal afirmação de Jesus remete-me a uma história que li no livro "GRATIDÃO, UM ESTILO DE VIDA". O autor do artigo que contém a historia, Alan Cohen, descreve-a assim: "Ouvi falar de uma mulher chamada Sarah, que se encontrava deitada na cama de um hospital depois de ter sofrido um acidente, profundamente deprimida e incapaz de mexer qualquer parte do seu corpo excepto o dedinho de uma mão. Sarah decidiu então, que faria uso do que tinha, em vez de se lamentar pelo que não tinha. Começou então a abençoar o único dedo que podia mexer e acabou desenvolvendo um sistema de comunicação, baseado em sim e não com esse dedo. Sarah tornou-se agradecida pelo fato de se poder comunicar e assim sentiu-se mais feliz. Na medida em que ela abençoou o movimento, a sua flexibilidade aumentou. Dentro de pouco tempo Sarah conseguia mexer a mão, depois o braço e, finalmente, o corpo todo."

 A radical alteração no corpo de Sarah teve início quando, em vez de uma atitude crítica e queixosa, ela passou a alimentar-se de abençoada gratidão. Entre as dietas alimentares que proporcionam saúde e longevidade, gostaria de propor mais uma à base de generosas e enriquecidas porções de gratidão diárias.

Lembrando Milady Bertie: "A gratidão desbloqueia a abundância da vida. Ela torna o que temos em suficiente, e mais. Ela torna a negação em aceitação, caos em ordem, confusão em claridade. Ela pode transformar uma refeição num banquete, uma casa num lar, um estranho num amigo. A gratidão dá sentido ao nosso passado, traz paz para o hoje, e cria uma visão para o amanhã."

Estamos a viver mais uma vez, a experiência da "passagem de ano". Que a vivamos com gratidão, com alegria e com prazer. Será também oportuno, juntamente com os novos projectos, promessas e propósitos pessoais, concentrar-mo-nos no que temos, no que funciona, no que não precisamos pedir. Deixar-nos embriagar de gratidão, além de não provocar ressaca, abrirá as portas para o caminho da abundância. 



(fonte SOMOS TODOS UM)

Mais 10 passos para um bom 2011, aqui

Trate o seu novo ano como um bebé: Oh baby... 





(vídeo descoberto através de Abraâo Rafael)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O direito à Felicidade

-.
  Elisabeth Cavalcante 

A importância de nos lembrarmos da frase acima é enfatizada aqui, principalmente para todos os que neste momento sofrem por se sentirem diferentes, anormais, estranhos e desajustados neste mundo.

Para aqueles cuja beleza não corresponde aos padrões de perfeição conhecidos, cujo corpo não se enquadra nos modelos determinados pela sociedade, cuja inteligência não corresponde à de um génio ou cuja opção sexual se diferencia da chamada normalidade.

A estes, não resta dúvida, a vida reservou desafios consideráveis. As atitudes preconceituosas existem de facto em muitas situações da vida destas pessoas -no trabalho, na família, nas relações sociais de um modo geral. Isto faz com que, fragilizadas, elas próprias acabem se condenando, num processo de julgamento muito rígido e sem qualquer sentimento de auto-compaixão.

O desenvolvimento do amor por si próprio é a arma fundamental para a defesa contra o preconceito do mundo. Temos que nos tornar suficientemente fortes para que a incompreensão alheia não nos destrua, e descobrir em nós as qualidades que se encontram ocultas sob camadas e camadas de baixa auto-estima.

De facto, este não é um processo fácil. Se na nossa história de vida não recebemos estímulos e incentivos adequados e no momento certo, crescemos com a nítida sensação de que somos menos do que o resto do mundo. Tendemos sempre a comparar-nos com aqueles que julgamos melhores, mais inteligentes e mais bonitos que nós.

Infelizmente, muitos pais acreditam estar a fazer um bem aos filhos ao compará-los com outras crianças que julgam melhores e mais inteligentes, pois acham que desta maneira a criança se sentirá motivada para melhorar o seu desempenho no mundo.

Entretanto, esta é uma atitude perigosa pois não leva em conta que cada ser humano é único. Ao tentar fazer com que o filho queira se igualar a outros, eles podem estar a atrofiar um talento especial -que se fosse expresso livremente o tornaria um ser humano feliz e realizado.

Como se libertar do sofrimento trazido pelo sentimento de inadequação e enfrentarmos a vida sem medo? O primeiro passo é ter sempre em mente que, como todo ser humano, possuímos o direito inalienável à felicidade.

Esta reflexão permanente nos dará a força necessária para nos libertarmos da sensação de inferioridade, e a motivação para efectuarmos em nós as mudanças que julgarmos importantes para ampliar o nosso amor-próprio.

Tais mudanças devem sempre ter como objectivo a nossa própria satisfação e não a satisfação do mundo exterior.

A coragem é um elemento fundamental neste processo. Ela só virá quando acreditarmos de maneira absoluta que é possível ser feliz, ainda que não sejamos aceites pela totalidade do mundo.

Quanto mais convictos estivermos desta verdade, mais segurança sentiremos frente às reacções alheias. O preconceito só se fortalece diante do medo e da fragilidade. Somente a força interior e o amor próprio possuem o poder de inibir o preconceito e a intolerância.

... Se você conseguir expôr-se religiosamente -não na privacidade, não com o seu psicanalista, mas simplesmente em todos os seus relacionamentos... Isto é auto-psicanálise. Isso é vinte quatro horas de psicanálise, todos os dias. Isso é psicanálise em todo o tipo de situação: com a esposa, com o amigo, com os parentes, com o inimigo, com o estranho, com o chefe, com o seu funcionário. Por vinte e quatro horas você está a relacionar-se. 

 
Se você continuar a expôr-se... No princípio vai ser realmente muito assustador, mas logo começará a ganhar força, porque uma vez que a verdade é exposta ela torna-se mais forte e a não verdade morre. E com a verdade tornando-se mais forte, você tornar-se-á mais enraizado e centrado. Você começa a tornar-se um indivíduo. A personalidade desaparece e o indivíduo aparece.
A personalidade é falsa e a individualidade é substancial. A personalidade é simplesmente uma fachada e a individualidade é a sua verdade. A personalidade é-lhe imposta de fora, é uma persona, uma máscara. A individualidade é a sua realidade, ela é como Deus a fez. A personalidade é uma sofisticação social, um polimento social. A individualidade é crua, selvagem, forte e com um tremendo poder.

... Uma vez que você esteja pronto, corajoso e desafiador; uma vez que você tenha experimentado a liberdade da verdade, a liberdade de expôr a sua realidade, você poderá seguir por si mesmo. Você conseguirá ser uma luz para si mesmo.
Mas o medo é natural porque desde o início da infância foram-lhe ensinadas falsidades, e você tornou-se tão identificado com o falso que abandoná-lo parece
quase cometer o suicídio. E o medo surge porque uma grande crise de identidade aparece.

... O medo é natural. Não o condene e não sinta que ele é algo de errado. Ele é apenas parte de toda essa educação social. Nós temos que aceitá-lo e ir além dele. Sem condená-lo, temos que ir além dele.
Exponha-se pouco a pouco, não há qualquer necessidade de dar saltos que não possa administrar. Vá passo a passo, gradualmente. E logo irá descobrir o sabor da verdade.

... A repressão cria o inconsciente. Quanto mais reprimido você for, maior é o seu inconsciente. O que é na verdade o inconsciente? É aquela parte da sua mente que fica de lado, é aquela parte da sua casa onde você nunca vai, o porão. Você vai atirando para lá todo o tipo de coisas mas nunca lá vai. (...)

Exponha-se. Isso será um alívio...  

(OSHO - The Guest)