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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Onde está a culpa do pai?

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Um estudo realizado no Reino Unido, afirma que as crianças em idade pré-escolar cuja mãe trabalha fora, comem mais guloseimas, vêem mais televisão, jogam mais computador e mexem-se menos do que aquelas cujas mães ficam em casa:
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"(...) uma proporção cada vez maior de mulheres vive nas cidades e não tem outra opção senão trabalhar fora de casa, deixando os seus filhos ao cuidado de terceiros. E, agora, vem um grande estudo dizer-lhes que isso faz mal aos filhos, suscitando comentários de leitoras, nomeadamente nosite da BBC, a dizer, entre outras coisas, que isso as faz sentir ainda mais culpadas por terem de trabalhar em vez de tratar dos filhos.(...)
Tendo eliminado os factores que poderiam confundir os resultados, tais como o nível de instrução da mãe e as circunstâncias socioeconómicas das famílias, os cientistas constataram que as crianças cujas mães trabalhavam a tempo inteiro ou parcial tinham uma maior tendência para beber refrigerantes entre as refeições do que as crianças cuja mãe não trabalhava. Essas mesmas crianças eram também mais susceptíveis de passar pelo menos duas horas por dia à frente da televisão ou do computador e serem levadas à escola de automóvel em vez de irem a pé ou de bicicleta. E as crianças cujas mães trabalhavam a tempo inteiro tinham uma menor tendência para comer frutas ou legumes entre as refeições ou para comer três ou mais peças de fruta por dia.
O panorama parece de facto preocupante, pois indicia, tal como estudos anteriores, que existe uma relação entre o facto de a mãe ter um emprego e o risco de obesidade infantil. "Pouco se sabe sobre os potenciais mecanismos subjacentes a esta relação", dizem os investigadores. Os resultados do actual estudo parecem indicar que uma maior flexibilidade nos horários de trabalho poderá contrariar esta tendência, mas este efeito não ficou confirmado.
Onde está o pai?
A situação profissional dos pais das crianças não foi tida em conta no estudo. Os autores argumentam que isso se deve ao facto de "os padrões de trabalho dos homens terem evoluído relativamente pouco nas últimas décadas", ao passo que os das mulheres mudaram radicalmente. Mas esta poderá ser de facto uma falha do estudo, pois não tem em conta as famílias onde a mãe trabalha e o pai trata dos filhos. "Os autores do estudo não verificaram se os pais estavam ou não presentes em casa", lê-se no Guardian, que publicou um artigo relativamente crítico em relação aos resultados.(...)"
(veja o artigo completo aqui)
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Porque é que a situação profissional dos pais não foi considerada? Se os padrões de trabalho dos homens não mudaram, mas os das mulheres mudaram radicalmente, é mais que óbvio que a dinâmica da família mudou radicalmente também! E não é de famílias que estão a falar?
Não são necessários mais estudos focados na culpa que a mulher que trabalha deve carregar
-primeiro que tudo, porque essa culpa, justificada ou não, é inerente ao amor maternal e chega de bater no(a) ceguinho(a).
-segundo, porque o trabalho é na quase absoluta maioria das vezes, uma necessidade. E uma necessidade que não foram as mulheres que criaram. Nem foi um mundo de poder predominantemente feminino quem criou uma qualidade de vida precária que as obriga a passar tanto tempo longe dos filhos -mas raramente menos tempo que os pais.
Não adianta dizer que o objectivo do estudo era outro, quem o fez estava à espera de que resultados? Não foi a suspeita de que isso acontecia o que motivou a realização de tão deficiente estudo?
Faz falta é um estudo sobre o efeito que a ausência dos pais provoca nos filhos. Carências na sua formação e educação -que existem desde sempre- e como isso pode, talvez, refletir-se em filhas inseguras em relação ao (ausente) elemento masculino (que depois se sujeitam a tudo, por "amor"?) ou filhos desprovidos de respeito, consideração e cooperação com o elemento feminino (por falta de exemplo em casa).
Faz falta um estudo que dê voz aos homens e nos dê a conhecer as suas próprias angústias e inseguranças quanto ao papel de pais. A culpa que carregam por se verem muitas vezes como provedores da família, com pouca margem de acção para criarem opções profissionais que lhes permitam passar mais tempo amoroso com os filhos.
E que nos fale de exemplos de pais que conseguiram algum tipo de equilíbrio na sua vida (abrindo mão talvez de ambições materiais ou carreirismos) para se dedicarem àquilo que afinal, quem ainda não descobriu, um dia fatalmente descobrirá:
a única coisa que nos enriquece é o amor e a qualidade do tempo que passamos com aqueles que amamos -ou amaríamos mais se tivessemos tempo para isso.
Não precisamos de estudos que criem e exacerbem culpas e promovam acusações e desunião. Precisamos sim de muitos e bons estudos que nos mostrem bons exemplos e soluções viáveis.
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(...e ufa! Coisas que vale a pena ler e saber: "Pais exigem mais tempo com os filhos" -ler aqui
e os "Pais Galinha" que começam a se manifestar, aqui)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

De Olhos bem Abertos

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"Ponha a mão na cara.
Tape um olho e diga-me o que vê.
Melhor, como vê.
Nota alguma diferença ?
Pois é assim uma empresa que não tem mulheres nos cargos directivos."
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diz a professora espanhola Nuria Chinchilla
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(em 'Mulheres no Topo' de Luísa Meireles na revista Única)

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Esta é uma maneira fantástica de nos mostrar que o olhar masculino e o olhar feminino são complementares.
Não competem nem se excluem.
O mesmo se passa dentro de casa, com cada casal.
E quando o assunto é dinheiro, dois olhares diferentes não só vêem melhor do que um, como devem olhar em parceria, ainda que não na mesma direcção.
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Gustavo Cerbasi, no seu livro "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos", apresenta valiosos argumentos para acabar com o preconceito ou a divisão de poder entre os casais baseada no "quem ganha mais" -ou no meu olho vê melhor que o teu!
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Por exemplo: "Como se pode ultrapassar o problema de um dos membros do casal ter um rendimento muito superior ao outro?

A sociedade actual ainda não aprendeu a lidar com a emancipação económica feminina. No passado, o homem era o provedor do lar. Com a conquista da igualdade económica entre homens e mulheres, elas conquistaram também liberdade e independência. Infelizmente, em razão disso criou-se um sentimento equivocado de que cada um deve cuidar do seu dinheiro, pagar as suas contas ou contribuir com a divisão das despesas do lar. No longo prazo isso não funciona, pois um fará poupança e o outro não, um terá mais liberdade de escolhas e ou outro não terá opções, um terá uma vida financeira tranquila e o outro viverá sob pressão. Um rico e um pobre não conviverão bem debaixo do mesmo tecto. Para evitar esse problema, é preciso resgatar a noção de família. Não importa quanto cada um ganha - a família tem um rendimento equivalente à soma do rendimento dos dois. Gastos, todos eles, devem ser decididos a dois e pagos com o dinheiro da família. Liberdade e independência? Simples: o casal deve estabelecer uma verba para gastos pessoais, uma mesada, e dividi--la meio a meio, para cada um gastar como bem entender, mantendo o mesmo padrão de consumo para os dois. Se parece injusto para alguns, passa a fazer sentido quando ela pensa em interromper a carreira para cuidar de um bebé, ou quando ele perde o emprego. Numa família, ambos devem batalhar juntos para o sucesso financeiro do casal, mesmo que isso signifique apenas um dos dois trabalhar para manter a família.
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Como se pode combinar dois perfis muito diferentes, por exemplo, um investidor agressivo com um gastador conservador?

O primeiro passo é reconhecer os perfis de cada um e identificar os pontos fortes e pontos fracos. O segundo passo é cultivar uma conversa franca que permita valorizar os pontos fortes e limitar os pontos fracos. Se gastar é da natureza de quem amamos, devemos estipular uma verba para garantir esse hábito que proporciona felicidade quotidiana. O mesmo vale para investimentos. Um erro grave é tentar mudar a natureza humana, tentando converter um gastador em investidor, ou vice-versa. Em geral, apaixonamo-nos justamente por características de comportamento que completam o que falta em nós mesmos. Para manter um relacionamento equilibrado, as vontades e manias também se devem equilibrar, com concessões de ambos os lados."
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(veja a entrevista completa na matéria de David Almas no ionline aqui:
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Voltando ao princípio, um casal inteligente sabe que são precisos "dois" olhos para se dar uma sedutora piscadela de vez em quando...
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